Categoria: Correio Braziliense

Artigo do historiador Marco Antonio Villa no Correio Braziliense e Estado de Minas:”Bolsonaro é adversário da Constituição”.

Este autoritarismo do século XXI pretende eliminar as garantias constitucionais conquistadas ao longo das últimas décadas. Precisa manter a ofensiva contra o Estado democrático de Direito. E tem na Constituição de 1988 o seu maior adversário. Daí a necessidade de desmoralizar as instituições e testar a resistência dos outros Poderes frente aos avanços do Executivo. Deve também anestesiar a sociedade civil. Para isso conta com as milícias digitais e a produção em massa de fake news. É necessário construir uma realidade virtual fictícia que permita dar credibilidade aos devaneios reacionários. Verdade e mentira ficam de tal forma associados que não se sabe mais o que está acontecendo, mesmo sobre questões banais.

Governo Bolsonaro.Qual governo?

Governo Bolsonaro. Qual governo?
Artigo do historiador Marco Antonio Villa
no Correio Brasiliense e Estado de Minas.
Com o aumento da impopularidade – e todas as pesquisas detectam esta tendência – Bolsonaro deverá intensificar os
ataques à imprensa. E contará com o apoio das milícias digitais. Vai radicalizar, cada vez mais, o discurso. Não perderá oportunidade para atacar os valores democráticos e seus adversários políticos. Se necessário irá utilizar os instrumentos de Estado para coagir seus opositores – já o fez, de forma embrionária, revelando linha de crédito para a compra de pequenos aviões da Embraer. Para ele, que não compreende as atribuições de chefe do Executivo federal, tudo é permitido. Supõe que o cargo permite que aja sem freios. Ignora os limites legais

Os desatinos de Bolsonaro. 

O Brasil conseguiu ao longo deste século construir uma imagem – com base em ações eficazes – positiva sobre a exploração da Amazônia. Não foi tarefa fácil. Contudo, em apenas alguns dias Jair Bolsonaro jogou tudo abaixo. Desconsiderou o trabalho científico na região, atacou o INPE – instituição científica de reconhecimento internacional -, desprezou a ação do IBAMA, transformou as ONGs que atuam na Amazônia em instrumentos de interesses estrangeiros (e responsáveis pelas queimadas!!), recusou a receber os recursos da Fundo Amazônia e incentivou a ocupação das terras indígenas por mineradores. Foi a maior ofensiva contra a Amazônia neste século. Não apresentou nenhuma prova sobre quaisquer das acusações. Usou e abusou de fake news. Transformou o nosso país em uma ameaça ao meio ambiente mundial ao associar o Brasil à devastação da Amazônia. Não se sabe quando deverá terminar a crise. Tudo indica que o período mais turbulento deva estar próximo do fim. Mas o dano à nossa imagem é irreparável.

Artigo do Prof. Villa no Correio Braziliense e Estado de Minas: “A crise tem nome: Jair Bolsonaro.”

A irresponsabilidade presidencial atingiu todas as esferas de governo. Todas, sem exceção. Como numa razia, atacou sem piedade as bases da estrutura estatal. Desmoralizou políticas públicas exitosas. Está isolando o Brasil frente à comunidade científica internacional. Não satisfeito, atrelou a nossa política externa aos interesses dos Estados Unidos. O Palácio do Planalto se transformou em puxadinho da Casa Branca. O Itamaraty perdeu autonomia. Hoje é uma simples repartição do Departamento de Estado norteamericano. Vociferou nestes dias contra a Alemanha, a França e a Noruega. Não satisfeito, resolveu atacar a Argentina, nossa mais importante parceira comercial no Mercosul.

Meu artigo no Correio Braziliense e Estado de Minas:”Bolsonaro e o autoritarismo anti-nacional”.

Este autoritarismo do século XXI se notabiliza pela negação da modernidade e pela aceitação do Brasil como um apêndice dos Estados Unidos. O nacionalismo desapareceu da pauta política. O desejo de submissão é patente. Basta recordar a patética visita de Jair Bolsonaro à Casa Branca, a subserviência frente a Donald Trump e a designação de Eduardo Bolsonaro para a embaixada de Washington com a missão de se colocar à serviço dos interesses imperialistas, especialmente da entrega do subsolo nacional às empresas americanas, como manifestado recentemente pelo ocupante do Palácio do Planalto. Nestas horas fico imaginando o que pensariam os tenentistas, Oliveira Vianna, e Alberto Torres.

Artigo do Prof. Villa no Correio Braziliense e Estado de Minas: “Bolsonaro e o irracionalismo político.”

O deslumbramento com o poder, a submissão aos interesses norteamericanos, a incompreensão do que significa interesse público, a irresponsabilidade no trato do dia-a-dia do governo, a defesa da tortura e de soluções autoritárias, a sujeição aos Estados Unidos, são as marcas da narrativa bolsonarista. Mantendo a coerência entreguista, o alvo agora é o nosso subsolo, especialmente o das reservas indígenas. Ignorando o que determina a Constituição (art. 231, § 3º), Bolsonaro quer autorizar a mineração nas reservas indígenas (deseja também reduzí-las) e entregar a exploração aos Estados Unidos. Declarou que esta será uma das tarefas do seu filho (que, no momento, está surfando na Indonésia) como embaixador em Washington.

Artigo do historiador Marco Antonio Villa no Correio Braziliense e Estado de Minas: “Mas será o Bolsonaro?”

O que fica destas declarações de Jair Bolsonaro – e foram muitas, destaquei somente algumas – é que não está preparado para o exercício da função. Defensores dizem que ele é muito espontâneo, que é o seu estilo. Não. Em sete meses demonstrou a mesma vulgaridade dos tempos de deputado do baixo clero. Só que agora no exercício do principal cargo, o de Presidente da República Federativa do Brasil. E em um momento que o país necessita de uma direção segura, competente, republicana. Estamos vivendo a pior crise da história econômica brasileira. Nada indica que estamos próximo de encontrar uma saída. Pelo contrário, com Bolsonaro no Planalto a crise só tende a se agravar. Aguardemos agosto, mês funesto para nós. Enquanto isso, resta rir e perguntar: sabe a última do Bolsonaro?

Artigo do Prof. Villa no Correio Braziliense e Estado de Minas: “Um inepto em Washington”.

Tudo isso poderia ter sido evitado se Ernesto Araújo fosse um diplomata à altura das tradições do Itamaraty. Contudo, ele está à serviço do pornofilósofo da Virginia. Foi colocado no cargo por indicação do guru do presidente. Era, até então, um desconhecido. Subverteu toda estrutura da Casa de Rio Branco. Nos fóruns internacionais o Brasil passou a votar acompanhando os países muçulmanos, como em questões envolvendo as mulheres, rompendo, inclusive, com o que determina a nossa Constituição (artigo 4º). É um grande salto para trás e que, até o momento, não foi percebido pelos brasileiros. Hoje somos parceiros de ditaduras, de regimes autocráticos.

Artigo do Prof. Villa no Correio Braziliense e Estado de Minas:”Bolsonaro e a ingovernabilidade.”

A improvisação é uma característica do seu governo. Indo desde a falta de um projeto nacional até o estabelecimento de uma simples agenda de trabalho. Dá a impressão que ainda não sabe suas atribuições, o que faz um Presidente da República. Não se sente bem no exercício do cargo. Reclama diariamente quando cobrado. Destrata a imprensa, desmente ministros, desconhece parte das ações governamentais. Não sabe dialogar, não ouve e fala obviedades. Imaginava-se, quando da eleição, que os ministros que despacham no Palácio do Planalto pudessem controlá-lo. Doce ilusão. Bolsonaro age impulsivamente, sem pensar, sem imaginar as consequências. É incontrolável. Pior, se acha o esperado, o ungido. Mas não passa de um messias de ópera-bufa.

O flerte de Bolsonaro com o autoritarismo. Artigo do Prof. Villa com o Correio Braziliense e Estado de Minas.

Hoje, é muito claro aos principais atores políticos e econômicos, que a crise que vivemos tem nome: Jair Bolsonaro. Ele atua sempre com intuito de aumentar os problemas, amplia a combustão e, parece, satisfeito nesta ação. É como se o seu papel não fosse o de presidente de todos os brasileiros. Insiste em falar e governar para apenas o seu eleitorado. Tem enorme dificuldade de compreender que a eleição já terminou. Não consegue descer do palanque. Uma explicação possível é que não sabe como exercer a presidência, que não se adapta aos rigores e atribuições do cargo – e aos problemas nacionais. Como mecanismo de defesa optou por ignorá-los ou, quando muito, a minimizá-los. Sabe que não está à altura do cargo. Que não é um estadista.