Categoria: Correio Braziliense

Artigo do Prof. Villa no Correio Braziliense e Estado de Minas: “Um inepto em Washington”.

Tudo isso poderia ter sido evitado se Ernesto Araújo fosse um diplomata à altura das tradições do Itamaraty. Contudo, ele está à serviço do pornofilósofo da Virginia. Foi colocado no cargo por indicação do guru do presidente. Era, até então, um desconhecido. Subverteu toda estrutura da Casa de Rio Branco. Nos fóruns internacionais o Brasil passou a votar acompanhando os países muçulmanos, como em questões envolvendo as mulheres, rompendo, inclusive, com o que determina a nossa Constituição (artigo 4º). É um grande salto para trás e que, até o momento, não foi percebido pelos brasileiros. Hoje somos parceiros de ditaduras, de regimes autocráticos.

Artigo do Prof. Villa no Correio Braziliense e Estado de Minas:”Bolsonaro e a ingovernabilidade.”

A improvisação é uma característica do seu governo. Indo desde a falta de um projeto nacional até o estabelecimento de uma simples agenda de trabalho. Dá a impressão que ainda não sabe suas atribuições, o que faz um Presidente da República. Não se sente bem no exercício do cargo. Reclama diariamente quando cobrado. Destrata a imprensa, desmente ministros, desconhece parte das ações governamentais. Não sabe dialogar, não ouve e fala obviedades. Imaginava-se, quando da eleição, que os ministros que despacham no Palácio do Planalto pudessem controlá-lo. Doce ilusão. Bolsonaro age impulsivamente, sem pensar, sem imaginar as consequências. É incontrolável. Pior, se acha o esperado, o ungido. Mas não passa de um messias de ópera-bufa.

O flerte de Bolsonaro com o autoritarismo. Artigo do Prof. Villa com o Correio Braziliense e Estado de Minas.

Hoje, é muito claro aos principais atores políticos e econômicos, que a crise que vivemos tem nome: Jair Bolsonaro. Ele atua sempre com intuito de aumentar os problemas, amplia a combustão e, parece, satisfeito nesta ação. É como se o seu papel não fosse o de presidente de todos os brasileiros. Insiste em falar e governar para apenas o seu eleitorado. Tem enorme dificuldade de compreender que a eleição já terminou. Não consegue descer do palanque. Uma explicação possível é que não sabe como exercer a presidência, que não se adapta aos rigores e atribuições do cargo – e aos problemas nacionais. Como mecanismo de defesa optou por ignorá-los ou, quando muito, a minimizá-los. Sabe que não está à altura do cargo. Que não é um estadista.

Sérgio Moro e os vazamentos.

Os adversários da Lava Jato estão comemorando os vazamentos. Como se todas as condenações da operação – 159 – pudessem ser anuladas, o que é um despropósito. Não deve ser esquecido os bilhões de reais que foram recuperados, bem como que a operação foi desenvolvida em vários estados. Também deve ser registrado que na segunda instância, no Tribunal Regional Federal da 4ª Região, foram confirmadas a maioria das condenações oriundas da 13ª Vara Federal do Paraná. No caso envolvendo o ex-presidente Lula, sentenciado por corrupção e lavagem de dinheiro, a 8ª turma do TRF-4, não só manteve a condenação, como ampliou a pena de 9 meses e 6 meses para 12 anos e um mês de reclusão.

Artigo do Prof. Villa no Correio Braziliense e Estado de Minas:”Reforma da Previdência: devemos qualificar o debate.”

Não há, seriamente, quem negue a necessidade da reforma. A situação das contas públicas é gravíssima. O que se discute – e faz parte do processo democrático – são as modificações que deverão ser efetuadas na proposta encaminhada pelo governo. É insustentável afirmar que as alterações atingem somente os privilegiados, o andar de cima. Salvo engano, os “marajás” – relembrando a antiga imagem construída por Fernando Collor – não recebem a aposentadoria rural, a mesma que o projeto pretende eliminar. Também não desejam usufruir do Benefício de Prestação Continuada e muito menos do abono do PIS – cabe até a pergunta: rico sabe o que é PIS? Estas correções são necessárias e não interferem decisivamente no resultado final que o governo pretende obter. Contudo significam muito para os mais pobres.

Entre malucos e cachaceiros.Artigo do Prof. Villa no Correio Braziliense e Estado de Minas.

Já o governo consegue construir crises semanais. Todas geradas no seu seio. São autocrises. Caso único na nossa história política. E sempre por razões banais, pois o debate ideológico – como disse – inexiste. A disputa é para ocupar postos no interior da máquina do Estado. A sanha predatória é semelhante à do PT. Todos os cargos são desejados. O importante é ter o domínio de instâncias que poderão elaborar políticas públicas atendendo uma clientela extremista. E rápido.

Cem dias de governo: pouco a comemorar.

Artigo do Prof. Villa no Correio Braziliense e Estado de Minas:
O mais estranho nestes cem dias foi a permanência da influência em áreas sensíveis do governo – com a da educação e das relações exteriores – do Jim Jones da Virgínia. O autoproclamado filósofo – que interrompeu seus estudos na antiga primeira série ginasial – continua dando as cartas. É inexplicável – racionalmente – entender como um desqualificado moral, que vivia, de acordo com o depoimento de sua filha, com três mulheres em São Paulo em uma casa no bairro da Bela Vista, isto quando era muçulmano, possa determinar quem vai ocupar o MEC ou o Itamaraty. A cidadania tem de exigir que o Presidente da República se afaste deste indivíduo que tem uma linguagem – basta consultar o Twitter – de marginal.

Bolsonaro é o maior problema de Bolsonaro.

Ainda é tempo do governo redefinir seu rumo. As condições são favoráveis devido à inexistência de uma oposição organizada. Mas a sucessão de erros pode também possibilitar uma reorganização dos seus adversários, bem como uma divisão na sua frágil base de apoio. Sem uma eficaz articulação com o Congresso, o governo será derrotado

Paulo Guedes e Ernesto Araújo: dualismo no governo.

O alinhamento automático – e servil – aos interesses diplomáticos de Washington trará, além de problemas políticos, sérios danos no campo econômico. É um crime de lesa Pátria. O chanceler Ernesto Araújo – seguindo as pegadas petistas – está transformando o Itamaraty em valhacouto de ideólogos fracassados. Antes foram os defensores da diplomacia Sul-Sul; agora são os praticantes do anti-globalismo.

“Os quatro grupos do governo Bolsonaro.”

O governo Bolsonaro é formado, grosso modo, por quatro grupos ideológicos. O primeiro é composto pelos cruzadistas, aqueles que ainda estão no final do século XI preparando-se para reconquistar a Terra Santa.
O chanceler Ernesto Araújo é a sua mais perfeita tradução. Araújo fala e age como um cruzado.
Lê o Brasil em inglês. Em inglês com sotaque americano. Não consegue entender que o Brasil tem seus próprios interesses nacionais.

O segundo grupo é formado pelos liberais. Seu principal representante é o poderoso ministro da Economia Paulo Guedes.
É considerado um técnico qualificado. Montou uma boa equipe.
O desafio será o de conciliar seu liberalismo econômico com o Brasil real, com a histórica participação do Estado na economia, processo de quase um século.

O terceiro grupo é formado pelos militares. É o mais importante. E o mais sólido.
Seu líder informal é o general Augusto Heleno. Tem liderança de fato. Conhece o Brasil e entende o mundo globalizado do século XXI.
Deverá ser uma espécie de primeiro-ministro.
Como camisa dez vai ditar o ritmo do governo: em alguns momentos, mais célere; em outros, valorizando a posse da bola.

O último grupo é aquele que orbita em torno do ministro Sérgio Moro. Tem enorme apoio popular.
Estão trabalhando para dentro, preparando medidas que serão enviadas no momento da reabertura do Congresso Nacional.

Estes grupos vão ter de conviver no interior do mesmo governo. O Presidente da República será o árbitro quando ocorrer disputas – inevitáveis – dada a pluralidade ideológica. E deverá escolher de que lado vai ficar. A maior divergência deverá ser com os cruzadistas. É o polo politicamente mais frágil. Não tem unidade e agem por impulsos irracionais.