Categoria: Correio Braziliense

Artigo do Prof. Villa no Correio Braziliense e Estado de Minas: “Bolsonaro e o irracionalismo político.”

O deslumbramento com o poder, a submissão aos interesses norteamericanos, a incompreensão do que significa interesse público, a irresponsabilidade no trato do dia-a-dia do governo, a defesa da tortura e de soluções autoritárias, a sujeição aos Estados Unidos, são as marcas da narrativa bolsonarista. Mantendo a coerência entreguista, o alvo agora é o nosso subsolo, especialmente o das reservas indígenas. Ignorando o que determina a Constituição (art. 231, § 3º), Bolsonaro quer autorizar a mineração nas reservas indígenas (deseja também reduzí-las) e entregar a exploração aos Estados Unidos. Declarou que esta será uma das tarefas do seu filho (que, no momento, está surfando na Indonésia) como embaixador em Washington.

Artigo do historiador Marco Antonio Villa no Correio Braziliense e Estado de Minas: “Mas será o Bolsonaro?”

O que fica destas declarações de Jair Bolsonaro – e foram muitas, destaquei somente algumas – é que não está preparado para o exercício da função. Defensores dizem que ele é muito espontâneo, que é o seu estilo. Não. Em sete meses demonstrou a mesma vulgaridade dos tempos de deputado do baixo clero. Só que agora no exercício do principal cargo, o de Presidente da República Federativa do Brasil. E em um momento que o país necessita de uma direção segura, competente, republicana. Estamos vivendo a pior crise da história econômica brasileira. Nada indica que estamos próximo de encontrar uma saída. Pelo contrário, com Bolsonaro no Planalto a crise só tende a se agravar. Aguardemos agosto, mês funesto para nós. Enquanto isso, resta rir e perguntar: sabe a última do Bolsonaro?

Artigo do Prof. Villa no Correio Braziliense e Estado de Minas: “Um inepto em Washington”.

Tudo isso poderia ter sido evitado se Ernesto Araújo fosse um diplomata à altura das tradições do Itamaraty. Contudo, ele está à serviço do pornofilósofo da Virginia. Foi colocado no cargo por indicação do guru do presidente. Era, até então, um desconhecido. Subverteu toda estrutura da Casa de Rio Branco. Nos fóruns internacionais o Brasil passou a votar acompanhando os países muçulmanos, como em questões envolvendo as mulheres, rompendo, inclusive, com o que determina a nossa Constituição (artigo 4º). É um grande salto para trás e que, até o momento, não foi percebido pelos brasileiros. Hoje somos parceiros de ditaduras, de regimes autocráticos.

Artigo do Prof. Villa no Correio Braziliense e Estado de Minas:”Bolsonaro e a ingovernabilidade.”

A improvisação é uma característica do seu governo. Indo desde a falta de um projeto nacional até o estabelecimento de uma simples agenda de trabalho. Dá a impressão que ainda não sabe suas atribuições, o que faz um Presidente da República. Não se sente bem no exercício do cargo. Reclama diariamente quando cobrado. Destrata a imprensa, desmente ministros, desconhece parte das ações governamentais. Não sabe dialogar, não ouve e fala obviedades. Imaginava-se, quando da eleição, que os ministros que despacham no Palácio do Planalto pudessem controlá-lo. Doce ilusão. Bolsonaro age impulsivamente, sem pensar, sem imaginar as consequências. É incontrolável. Pior, se acha o esperado, o ungido. Mas não passa de um messias de ópera-bufa.

O flerte de Bolsonaro com o autoritarismo. Artigo do Prof. Villa com o Correio Braziliense e Estado de Minas.

Hoje, é muito claro aos principais atores políticos e econômicos, que a crise que vivemos tem nome: Jair Bolsonaro. Ele atua sempre com intuito de aumentar os problemas, amplia a combustão e, parece, satisfeito nesta ação. É como se o seu papel não fosse o de presidente de todos os brasileiros. Insiste em falar e governar para apenas o seu eleitorado. Tem enorme dificuldade de compreender que a eleição já terminou. Não consegue descer do palanque. Uma explicação possível é que não sabe como exercer a presidência, que não se adapta aos rigores e atribuições do cargo – e aos problemas nacionais. Como mecanismo de defesa optou por ignorá-los ou, quando muito, a minimizá-los. Sabe que não está à altura do cargo. Que não é um estadista.

Sérgio Moro e os vazamentos.

Os adversários da Lava Jato estão comemorando os vazamentos. Como se todas as condenações da operação – 159 – pudessem ser anuladas, o que é um despropósito. Não deve ser esquecido os bilhões de reais que foram recuperados, bem como que a operação foi desenvolvida em vários estados. Também deve ser registrado que na segunda instância, no Tribunal Regional Federal da 4ª Região, foram confirmadas a maioria das condenações oriundas da 13ª Vara Federal do Paraná. No caso envolvendo o ex-presidente Lula, sentenciado por corrupção e lavagem de dinheiro, a 8ª turma do TRF-4, não só manteve a condenação, como ampliou a pena de 9 meses e 6 meses para 12 anos e um mês de reclusão.

Artigo do Prof. Villa no Correio Braziliense e Estado de Minas:”Reforma da Previdência: devemos qualificar o debate.”

Não há, seriamente, quem negue a necessidade da reforma. A situação das contas públicas é gravíssima. O que se discute – e faz parte do processo democrático – são as modificações que deverão ser efetuadas na proposta encaminhada pelo governo. É insustentável afirmar que as alterações atingem somente os privilegiados, o andar de cima. Salvo engano, os “marajás” – relembrando a antiga imagem construída por Fernando Collor – não recebem a aposentadoria rural, a mesma que o projeto pretende eliminar. Também não desejam usufruir do Benefício de Prestação Continuada e muito menos do abono do PIS – cabe até a pergunta: rico sabe o que é PIS? Estas correções são necessárias e não interferem decisivamente no resultado final que o governo pretende obter. Contudo significam muito para os mais pobres.

Entre malucos e cachaceiros.Artigo do Prof. Villa no Correio Braziliense e Estado de Minas.

Já o governo consegue construir crises semanais. Todas geradas no seu seio. São autocrises. Caso único na nossa história política. E sempre por razões banais, pois o debate ideológico – como disse – inexiste. A disputa é para ocupar postos no interior da máquina do Estado. A sanha predatória é semelhante à do PT. Todos os cargos são desejados. O importante é ter o domínio de instâncias que poderão elaborar políticas públicas atendendo uma clientela extremista. E rápido.

Cem dias de governo: pouco a comemorar.

Artigo do Prof. Villa no Correio Braziliense e Estado de Minas:
O mais estranho nestes cem dias foi a permanência da influência em áreas sensíveis do governo – com a da educação e das relações exteriores – do Jim Jones da Virgínia. O autoproclamado filósofo – que interrompeu seus estudos na antiga primeira série ginasial – continua dando as cartas. É inexplicável – racionalmente – entender como um desqualificado moral, que vivia, de acordo com o depoimento de sua filha, com três mulheres em São Paulo em uma casa no bairro da Bela Vista, isto quando era muçulmano, possa determinar quem vai ocupar o MEC ou o Itamaraty. A cidadania tem de exigir que o Presidente da República se afaste deste indivíduo que tem uma linguagem – basta consultar o Twitter – de marginal.

Bolsonaro é o maior problema de Bolsonaro.

Ainda é tempo do governo redefinir seu rumo. As condições são favoráveis devido à inexistência de uma oposição organizada. Mas a sucessão de erros pode também possibilitar uma reorganização dos seus adversários, bem como uma divisão na sua frágil base de apoio. Sem uma eficaz articulação com o Congresso, o governo será derrotado