Categoria: Correio Braziliense

Paulo Guedes e Ernesto Araújo: dualismo no governo.

O alinhamento automático – e servil – aos interesses diplomáticos de Washington trará, além de problemas políticos, sérios danos no campo econômico. É um crime de lesa Pátria. O chanceler Ernesto Araújo – seguindo as pegadas petistas – está transformando o Itamaraty em valhacouto de ideólogos fracassados. Antes foram os defensores da diplomacia Sul-Sul; agora são os praticantes do anti-globalismo.

“Os quatro grupos do governo Bolsonaro.”

O governo Bolsonaro é formado, grosso modo, por quatro grupos ideológicos. O primeiro é composto pelos cruzadistas, aqueles que ainda estão no final do século XI preparando-se para reconquistar a Terra Santa.
O chanceler Ernesto Araújo é a sua mais perfeita tradução. Araújo fala e age como um cruzado.
Lê o Brasil em inglês. Em inglês com sotaque americano. Não consegue entender que o Brasil tem seus próprios interesses nacionais.

O segundo grupo é formado pelos liberais. Seu principal representante é o poderoso ministro da Economia Paulo Guedes.
É considerado um técnico qualificado. Montou uma boa equipe.
O desafio será o de conciliar seu liberalismo econômico com o Brasil real, com a histórica participação do Estado na economia, processo de quase um século.

O terceiro grupo é formado pelos militares. É o mais importante. E o mais sólido.
Seu líder informal é o general Augusto Heleno. Tem liderança de fato. Conhece o Brasil e entende o mundo globalizado do século XXI.
Deverá ser uma espécie de primeiro-ministro.
Como camisa dez vai ditar o ritmo do governo: em alguns momentos, mais célere; em outros, valorizando a posse da bola.

O último grupo é aquele que orbita em torno do ministro Sérgio Moro. Tem enorme apoio popular.
Estão trabalhando para dentro, preparando medidas que serão enviadas no momento da reabertura do Congresso Nacional.

Estes grupos vão ter de conviver no interior do mesmo governo. O Presidente da República será o árbitro quando ocorrer disputas – inevitáveis – dada a pluralidade ideológica. E deverá escolher de que lado vai ficar. A maior divergência deverá ser com os cruzadistas. É o polo politicamente mais frágil. Não tem unidade e agem por impulsos irracionais.

Bolsonaro: chegou a hora da ação.

Redefinir o papel do Estado na economia, isto depois de quase um século de intervencionismo, vai exigir uma engenharia política e econômica que nenhum governo precisou nos últimos 30 anos. E isto pode cobrar alto custo político pois interesses enraizados na estrutura estatal devem responder às medidas adotadas pela nova gestão.

Michel Temer volta à obscuridade.

Na eleição de 2014 manteve o padrão habitual. O PMDB permaneceu aliado ao PT e Temer continuou na chapa como candidato à vice-presidente. Ficou porque não criou nenhum problema para o PT. Mas o incômodo da sociedade com o projeto criminoso de poder petista já aflorava. De Temer não se ouviu nenhuma palavra de desagrado ao petrolão, assim como manteve silencio durante o julgamento do mensalão, a ação penal 470. A corrupção petista não era um problema moral para Temer.

O Brasil aguarda Bolsonaro.

Artigo do Prof. Villa no Correio Braziliense e Estado de Minas.
Nos bastidores, a velha Brasília não quer morrer. Tenta resistir, nem que seja em cargos do segundo escalão, pois no primeiro não sobrou lugar. As conversas continuam no habitual tom antirrepublicano. Creem que ainda controlam o dia-a-dia do funcionamento da máquina pública. Que nada poderá ser feito sem eles. Imaginam que o eleitorado já se satisfez com as duas votações de outubro. E a política voltará ao segundo plano. Ledo engano. Nada indica que os brasileiros vão abandonar o interesse pela política. Basta acompanhar o movimento das redes sociais e a permanência do interesse pelos rumos do país. Mas a velha Brasília é insistente. Seus milhares de funcionários públicos acompanhados dos parasitas que rodeiam o Erário não se cansam e farão de tudo para manter seus privilégios e negociatas. São incorrigíveis. Sabotam qualquer governo que deseja implantar a República, aquela que só foi anunciada em 15 de novembro de 1889.

“O primeiro teste do Presidente Bolsonaro”.

Artigo do Prof. Villa no Correio Braziliense e Estado de Minas.
Quanto mais cedo for esclarecido os fatos, melhor. O novo governo está passando pelo primeiro teste – de muitos que deverão vir. E, vale ressaltar, o fato gerador não foi criado pela oposição. Foi algo interno, que precedeu, inclusive, o processo eleitoral. Até a semana passada o novo governo estava com o comando da embarcação. Controlava os ventos, a velocidade e o rumo. Hoje não parece tão seguro. Pode ser necessário jogar ao mar carga perigosa. Caso contrário, dificilmente chegará a porto seguro.

Bolsonaro: o desafio de governar.

Artigo do Prof. Villa no Correio Braziliense e Estado de Minas.
No campo econômico a tarefa inicial será a de garantir a eficácia administrativa. A reorganização ministerial cobrará seu preço no rearranjo das atribuições dos antigos ministérios agrupados na pasta da Economia. Ao mesmo tempo serão exigidos a apresentação dos projetos de cada área e que terão de obter aprovação do Congresso Nacional. Os projetos de lei deverão ter um caminho relativamente tranquilo. O problema maior estará nas emendas à Constituição que exigem quorum qualificado. Obtê-lo não será tarefa fácil.

Bolsonaro vai proclamar a República?

Evidentemente que ninguém supõe que os parlamentares acostumados há décadas com o sistema do “é dando que se recebe”, aceitarão, sem resistir, um outro tipo de arranjo político. Este é o desafio da presidência Jair Bolsonaro. Construir uma equipe sem se submeter à chantagem da velha política. Até o momento tem resistido. Poderá fazer uma revolução nos marcos democráticos. É provável que use da comunicação direta com os brasileiros para se fazer ouvir, para apresentar suas medidas de governo – e obter apoio. Se o fizer, prestará um grande serviço à moralização da República.

Retomar o caminho do Barão do Rio Branco.

A designação de Ernesto Araújo para chefiar o Itamaraty poderá servir de um ponto de inflexão na política externa brasileira. Houve uma mudança já nas gestões de José Serra e Aloísio Nunes Ferreira que deve ser elogiada. Foi abandonada a política irresponsável imposta pelo Partido dos Trabalhadores durante 13 anos e que afastou o nosso país de aliados tradicionais e de uma forma de encaminhar nossos assuntos exteriores. Cabe agora construir uma sólida política externa que defenda os interesses nacionais e não projetos político-partidários. Tivemos no passado bons exemplos como durante as gestões de Afonso Arinos de Mello Franco (1961) e de Azeredo da Silveira (1974-1979).

Enem: o livro vermelho do PT.

Artigo do Prof. Villa no Correio Braziliense e Estado de Minas.
O Enem de 2018 (as minhas observações tem como base a prova amarela) manteve a coerência com os exames anteriores. O panfletarismo petista continuou dominante. É como se Dilma Rousseff estivesse na Presidência. E o poste petista vencido a eleição presidencial. A cientificidade desapareceu. O conjunto do exame foi edificado para impor a visão de mundo petista. Sem qualquer preocupação de uma avaliação do conhecimento obtido no ensino médio.