Categoria: Correio Braziliense

Artigo do Prof. Villa publicado no Correio Braziliense e Estado de Minas:”O presidiário de Curitiba.”

O bizarro espetáculo foi encerrado com um pronunciamento de Lula. Durante 55 minutos discursou. Estava alterado. Não largou uma pequena garrafa plástica. Dava pequenos goles: era cachaça, sua bebida predileta na época que foi líder sindical – na Presidência só bebia whisky. Tentou fazer um grande discurso. Fracassou. Perdeu, além da liderança política, o poder de convencimento. Numa fala desconexa – produto também do excesso de consumo de álcool – tentou fazer um histórico da sua vida política. Um fiasco. Em certo momento disse que não era um ser humano mas uma ideia. Aí deixou o terreno da política e passou para um caso patológico, psiquiátrico.

Artigo do Prof. Villa publicado no Correio Braziliense e Estado de Minas.”STF: breve história de uma anomalia jurídica.”

O STF é uma anomalia jurídica: caro – mais de meio bilhão de reais por ano -, lento, corporativo, classista, formalista e injusto. É fundamental para o futuro da democracia brasileira que o STF seja repensado. E o Judiciário deixe de ser, como escreveu João Mangabeira, o poder que mais falhou na República.

Artigo do Prof. Villa publicado no Correio Braziliense e Estado de Minas:”Um país conflagrado”.

Tudo indica que o agravamento da crise estrutural levará o país a um beco sem saída. Não reconhecer o momento, não resolve absolutamente nada. Pelo contrário, posterga a agonia da República fundada em 1988. O processo eleitoral, dependendo do resultado, especialmente, da eleição presidencial, deve estender a crise. A situação é tão grave que não será solucionada na urna eletrônica. Isto porque o sistema não permite uma renovação. É tão petrificado que não apresenta fissuras. E aí mora um dos grandes problemas para encontrar um caminho: como iniciar a renovação quando o velho é de tal forma hegemônico que impede o nascimento do novo?

Artigo do historiador Marco Antonio Villa publicado no Correio Braziliense e Estado de Minas:”Rio de Janeiro, o fracasso da intervenção federal. “

Tendo em vista o processo de deterioração da estrutura estatal fluminense era indispensável a intervenção no Executivo estadual. Restringir a intervenção somente a área da segurança é mais que um grande equívoco: é impedir que tenha êxito a operação. O governo estadual está tomado pelo crime organizado. Nos anos cabralinos foi organizada a maior quadrilha estadual que o Brasil tem conhecimento. E, apesar dos esforços da justiça, não indica que todos os seus ramos foram descobertos e punidos. Se os desvios cabralinos foram superiores a R$ 300 milhões, segundo estimativa, é improvável que apenas o ex-governador tenha sido favorecido, Havia uma cadeia de corrupção em todas as esferas do Executivo e que alcançou o Legislativo – basta recordar que os três últimos presidentes da Alerj estão presos. Também deve ser lembrado o envolvimento de vários conselheiros do TCE-RJ. E, segundo denúncias, a corrupção teria alcançado outras áreas do aparelho de Estado.

Artigo Prof. Villa publicado no Correio Braziliense e Estado de Minas:”O exotismo constitucional é coisa nossa.”

A Constituição trata de tudo um pouco. É uma salada constitucional. Os grupos de pressão de diversos setores da sociedade acabaram obtendo vantagens acreditando que a Carta Magna levaria à solução das diversas demandas empresarias e profissionais – como se a palavra tivesse um poder mágico. Este sentimento foi estimulado pelos constituintes, especialmente pelo presidente da Assembleia Nacional Constituinte, o deputado Ulysses Guimarães.

As falácias do marxismo e do liberalismo.

No século XX, especialmente a partir dos anos 1930, o principal embate ideológico foi entre os marxistas e liberais. Na maioria das vezes, os dois campos produziram pastiches adaptando a fórceps a especificidade brasileira aos cânones ideológicos ocidentais. Consequentemente, a qualidade e a originalidade da produção e do debate político-econômico foram ruins, não passando da recitação de slogans vazios.

Artigo do historiador Marco Antonio Villa publicado Correio Braziliense e Estado de Minas: “A frustração vêm aí!”

Por estarmos passando pela crise mais grave da história republicana, isto poderia ser um atrativo para a construção de candidaturas que representassem a complexidade da sociedade brasileira contemporânea. Mas não. Os nomes já conhecidos estão olhando para o passado. Em momento algum – ao menos até agora – desenharam algumas ideias para enfrentar os graves (e novos) problemas nacionais. A complexidade dos dilemas das metrópoles brasileiras, por exemplo, tema sempre presente na imprensa, especialmente nos últimos trinta anos, é tratado de forma lateral pelos postulantes ao Palácio do Planalto. Recitam platitudes, quando muito.

Artigo do historiador Marco Antonio Villa publicado no Correio Braziliense e Estado de Minas: “O Brasil vive uma crise estrutural.”

Os pré-candidatos à Presidência da República não entusiasmam. Frente ao caos nosso de cada dia, não tem o que propor. Quando muito recitam platitudes. Um ou outro, tentando representar o papel de anti-sistema, despeja virulências sem sentido, totalmente descompassado. O cidadão não tem opção, não tem quem escolher e já está cansado de a cada eleição eleger o menos pior, aquele que pode evitar um mal maior.

Artigo do historiador Marco Antonio Villa publicado no Correio Braziliense e Estado de Minas: “O passado não passa. E o novo não nasce.”

Todos falam da necessidade do novo. Mas como, se a estrutura é arcaica e imune à mudança? Onde está o novo?
Desta forma, o terreno fica aberto à aventureiros. É o máximo de mudança permitido pelo sistema – e que não resolve a crise, muito pelo contrário.
É o cenário ideal para proliferar extremismos.
O extremista apresenta uma solução – por mais enganosa que seja. Insiste no uso da força, na retórica e na ação. O discurso é reducionista. No lugar do debate e da pluralidade, o extremista impõe a sua voz – só a sua. E como não encontra na arena política ninguém que o enfrente, vai conquistando posições que o transforma em alternativa ao apodrecimento do sistema. A suprema ironia é que o extremista foi gestado no interior da política tradicional, a mesma que diz combater.

Artigo do Prof. Villa publicado hoje no Correio Braziliense e Estado de Minas.

Uma elite sindical que chegou ao poder e dominou o aparelho de Estado por mais de 13 anos.
O que chama a atenção nos relatos é o arrivismo, o baixo nível de consciência política, a breve militância e a rapidez na ascensão burocrática, além do desejo de se afastar do universo da fábrica. A formação cultural é paupérrima.São mais pequenos burgueses que operários. Almejavam a ascensão social. E conseguiram.