Categoria: Correio Braziliense

As falácias do marxismo e do liberalismo.

No século XX, especialmente a partir dos anos 1930, o principal embate ideológico foi entre os marxistas e liberais. Na maioria das vezes, os dois campos produziram pastiches adaptando a fórceps a especificidade brasileira aos cânones ideológicos ocidentais. Consequentemente, a qualidade e a originalidade da produção e do debate político-econômico foram ruins, não passando da recitação de slogans vazios.

Artigo do historiador Marco Antonio Villa publicado Correio Braziliense e Estado de Minas: “A frustração vêm aí!”

Por estarmos passando pela crise mais grave da história republicana, isto poderia ser um atrativo para a construção de candidaturas que representassem a complexidade da sociedade brasileira contemporânea. Mas não. Os nomes já conhecidos estão olhando para o passado. Em momento algum – ao menos até agora – desenharam algumas ideias para enfrentar os graves (e novos) problemas nacionais. A complexidade dos dilemas das metrópoles brasileiras, por exemplo, tema sempre presente na imprensa, especialmente nos últimos trinta anos, é tratado de forma lateral pelos postulantes ao Palácio do Planalto. Recitam platitudes, quando muito.

Artigo do historiador Marco Antonio Villa publicado no Correio Braziliense e Estado de Minas: “O Brasil vive uma crise estrutural.”

Os pré-candidatos à Presidência da República não entusiasmam. Frente ao caos nosso de cada dia, não tem o que propor. Quando muito recitam platitudes. Um ou outro, tentando representar o papel de anti-sistema, despeja virulências sem sentido, totalmente descompassado. O cidadão não tem opção, não tem quem escolher e já está cansado de a cada eleição eleger o menos pior, aquele que pode evitar um mal maior.

Artigo do historiador Marco Antonio Villa publicado no Correio Braziliense e Estado de Minas: “O passado não passa. E o novo não nasce.”

Todos falam da necessidade do novo. Mas como, se a estrutura é arcaica e imune à mudança? Onde está o novo?
Desta forma, o terreno fica aberto à aventureiros. É o máximo de mudança permitido pelo sistema – e que não resolve a crise, muito pelo contrário.
É o cenário ideal para proliferar extremismos.
O extremista apresenta uma solução – por mais enganosa que seja. Insiste no uso da força, na retórica e na ação. O discurso é reducionista. No lugar do debate e da pluralidade, o extremista impõe a sua voz – só a sua. E como não encontra na arena política ninguém que o enfrente, vai conquistando posições que o transforma em alternativa ao apodrecimento do sistema. A suprema ironia é que o extremista foi gestado no interior da política tradicional, a mesma que diz combater.

Artigo do Prof. Villa publicado hoje no Correio Braziliense e Estado de Minas.

Uma elite sindical que chegou ao poder e dominou o aparelho de Estado por mais de 13 anos.
O que chama a atenção nos relatos é o arrivismo, o baixo nível de consciência política, a breve militância e a rapidez na ascensão burocrática, além do desejo de se afastar do universo da fábrica. A formação cultural é paupérrima.São mais pequenos burgueses que operários. Almejavam a ascensão social. E conseguiram.

Artigo do Prof. Villa no Correio Braziliense e Estado de Minas: “Lula e a ironia da história.”

Lula sempre teve como princípio não ter princípio. Isto desde o início da sua vida sindical, em 1972, quando seu irmão, frei Chico, o colocou na diretoria do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, como um representante informal do Partido Comunista Brasileiro, o Partidão.

Artigo historiador Marco Antonio Villa publicado no Correio Braziliense e Estado de Minas.

Os extremismos à direita e à esquerda tem hoje a preferência do eleitorado. Ao menos é o que indicam as pesquisas. É compreensível frente a maior, a mais extensa e a mais profunda crise política do Brasil republicano. A desmoralização das instituições é um elemento aglutinador para os radicais.
O perigo do extremismo é transformar a disputa eleitoral em uma guerra.
O cidadão deixa de ser cidadão. Transfere ao líder a responsabilidade de enfrentar os dilemas nacionais. A ação política individual, fruto da reflexão, deixa de existir. Não há reflexão. Não é preciso. O líder tudo sabe e tudo faz.
Enfrentar os extremismos é o grande desafio, não só do processo eleitoral, mas de viver numa democracia. É possível vencê-los?

Artigo do Prof.Villa no Correio Braziliense e Estado de Minas:”José Sarney, o mais longevo oligarca brasileiro.”

José Ribamar Ferreira de Araújo Costa é a mais perfeita tradução do oligarca brasileiro.
Foi rebatizado por desejo próprio. Alterou tudo: até o sobrenome.o Sarnei, já nos anos 1980, ganhou um “y” no lugar do “i”. Dava um ar de certa nobreza.
Em abril de 1985, o destino pregou mais uma das suas peças: Tancredo morreu. A Presidência caiu no colo de Ribamar Costa.
Desorganizou a economia do país. Entregou o governo com uma inflação em março de 1990 de 84%. Em 1989, a inflação anual foi de 1.782%. Isso mesmo: 1.782%!
Espertamente, em 2002, estabeleceu estreita aliança com Lula. Nunca teve tanto poder. Passou a mandar mais do que na época em que foi presidente.

Artigo Prof. Villa publicado no Estado de Minas e Correio Braziliense: “Que o amanhã não seja o hoje.”

As oligarquias controlam com mãos de ferro “seus” estados. O governo federal foi – e não é de hoje – tomado pelos interesses privados. Tudo que é público é visto como algo a ser saqueado. Temos uma elite cleptomaníaca. Os corruptos perderam a vergonha. Nos tempos sombrios que vivemos, falta de compostura virou grife.

Meu artigo publicado ontem no Correio Braziliense e no Estado de Minas:”Monteiro Lobato, um brasileiro.”

Em um país com poucos heróis, Monteiro Lobato, certamente, é um deles.
Lobato foi um intelectual que criticou violentamente as elites e o marasmo do povo brasileiro. Foi também um nacionalista, profundamente antiestatista. Escreveu, polemizou, combateu, foi preso, mas nunca adulou o poder, algo raríssimo entre os nossos intelectuais.