Categoria: Estado de Minas

Entre malucos e cachaceiros.Artigo do Prof. Villa no Correio Braziliense e Estado de Minas.

Já o governo consegue construir crises semanais. Todas geradas no seu seio. São autocrises. Caso único na nossa história política. E sempre por razões banais, pois o debate ideológico – como disse – inexiste. A disputa é para ocupar postos no interior da máquina do Estado. A sanha predatória é semelhante à do PT. Todos os cargos são desejados. O importante é ter o domínio de instâncias que poderão elaborar políticas públicas atendendo uma clientela extremista. E rápido.

Cem dias de governo: pouco a comemorar.

Artigo do Prof. Villa no Correio Braziliense e Estado de Minas:
O mais estranho nestes cem dias foi a permanência da influência em áreas sensíveis do governo – com a da educação e das relações exteriores – do Jim Jones da Virgínia. O autoproclamado filósofo – que interrompeu seus estudos na antiga primeira série ginasial – continua dando as cartas. É inexplicável – racionalmente – entender como um desqualificado moral, que vivia, de acordo com o depoimento de sua filha, com três mulheres em São Paulo em uma casa no bairro da Bela Vista, isto quando era muçulmano, possa determinar quem vai ocupar o MEC ou o Itamaraty. A cidadania tem de exigir que o Presidente da República se afaste deste indivíduo que tem uma linguagem – basta consultar o Twitter – de marginal.

Bolsonaro é o maior problema de Bolsonaro.

Ainda é tempo do governo redefinir seu rumo. As condições são favoráveis devido à inexistência de uma oposição organizada. Mas a sucessão de erros pode também possibilitar uma reorganização dos seus adversários, bem como uma divisão na sua frágil base de apoio. Sem uma eficaz articulação com o Congresso, o governo será derrotado

“Os quatro grupos do governo Bolsonaro.”

O governo Bolsonaro é formado, grosso modo, por quatro grupos ideológicos. O primeiro é composto pelos cruzadistas, aqueles que ainda estão no final do século XI preparando-se para reconquistar a Terra Santa.
O chanceler Ernesto Araújo é a sua mais perfeita tradução. Araújo fala e age como um cruzado.
Lê o Brasil em inglês. Em inglês com sotaque americano. Não consegue entender que o Brasil tem seus próprios interesses nacionais.

O segundo grupo é formado pelos liberais. Seu principal representante é o poderoso ministro da Economia Paulo Guedes.
É considerado um técnico qualificado. Montou uma boa equipe.
O desafio será o de conciliar seu liberalismo econômico com o Brasil real, com a histórica participação do Estado na economia, processo de quase um século.

O terceiro grupo é formado pelos militares. É o mais importante. E o mais sólido.
Seu líder informal é o general Augusto Heleno. Tem liderança de fato. Conhece o Brasil e entende o mundo globalizado do século XXI.
Deverá ser uma espécie de primeiro-ministro.
Como camisa dez vai ditar o ritmo do governo: em alguns momentos, mais célere; em outros, valorizando a posse da bola.

O último grupo é aquele que orbita em torno do ministro Sérgio Moro. Tem enorme apoio popular.
Estão trabalhando para dentro, preparando medidas que serão enviadas no momento da reabertura do Congresso Nacional.

Estes grupos vão ter de conviver no interior do mesmo governo. O Presidente da República será o árbitro quando ocorrer disputas – inevitáveis – dada a pluralidade ideológica. E deverá escolher de que lado vai ficar. A maior divergência deverá ser com os cruzadistas. É o polo politicamente mais frágil. Não tem unidade e agem por impulsos irracionais.

Bolsonaro: chegou a hora da ação.

Redefinir o papel do Estado na economia, isto depois de quase um século de intervencionismo, vai exigir uma engenharia política e econômica que nenhum governo precisou nos últimos 30 anos. E isto pode cobrar alto custo político pois interesses enraizados na estrutura estatal devem responder às medidas adotadas pela nova gestão.

Michel Temer volta à obscuridade.

Na eleição de 2014 manteve o padrão habitual. O PMDB permaneceu aliado ao PT e Temer continuou na chapa como candidato à vice-presidente. Ficou porque não criou nenhum problema para o PT. Mas o incômodo da sociedade com o projeto criminoso de poder petista já aflorava. De Temer não se ouviu nenhuma palavra de desagrado ao petrolão, assim como manteve silencio durante o julgamento do mensalão, a ação penal 470. A corrupção petista não era um problema moral para Temer.

O Brasil aguarda Bolsonaro.

Artigo do Prof. Villa no Correio Braziliense e Estado de Minas.
Nos bastidores, a velha Brasília não quer morrer. Tenta resistir, nem que seja em cargos do segundo escalão, pois no primeiro não sobrou lugar. As conversas continuam no habitual tom antirrepublicano. Creem que ainda controlam o dia-a-dia do funcionamento da máquina pública. Que nada poderá ser feito sem eles. Imaginam que o eleitorado já se satisfez com as duas votações de outubro. E a política voltará ao segundo plano. Ledo engano. Nada indica que os brasileiros vão abandonar o interesse pela política. Basta acompanhar o movimento das redes sociais e a permanência do interesse pelos rumos do país. Mas a velha Brasília é insistente. Seus milhares de funcionários públicos acompanhados dos parasitas que rodeiam o Erário não se cansam e farão de tudo para manter seus privilégios e negociatas. São incorrigíveis. Sabotam qualquer governo que deseja implantar a República, aquela que só foi anunciada em 15 de novembro de 1889.

“O primeiro teste do Presidente Bolsonaro”.

Artigo do Prof. Villa no Correio Braziliense e Estado de Minas.
Quanto mais cedo for esclarecido os fatos, melhor. O novo governo está passando pelo primeiro teste – de muitos que deverão vir. E, vale ressaltar, o fato gerador não foi criado pela oposição. Foi algo interno, que precedeu, inclusive, o processo eleitoral. Até a semana passada o novo governo estava com o comando da embarcação. Controlava os ventos, a velocidade e o rumo. Hoje não parece tão seguro. Pode ser necessário jogar ao mar carga perigosa. Caso contrário, dificilmente chegará a porto seguro.

Bolsonaro: o desafio de governar.

Artigo do Prof. Villa no Correio Braziliense e Estado de Minas.
No campo econômico a tarefa inicial será a de garantir a eficácia administrativa. A reorganização ministerial cobrará seu preço no rearranjo das atribuições dos antigos ministérios agrupados na pasta da Economia. Ao mesmo tempo serão exigidos a apresentação dos projetos de cada área e que terão de obter aprovação do Congresso Nacional. Os projetos de lei deverão ter um caminho relativamente tranquilo. O problema maior estará nas emendas à Constituição que exigem quorum qualificado. Obtê-lo não será tarefa fácil.

Bolsonaro vai proclamar a República?

Evidentemente que ninguém supõe que os parlamentares acostumados há décadas com o sistema do “é dando que se recebe”, aceitarão, sem resistir, um outro tipo de arranjo político. Este é o desafio da presidência Jair Bolsonaro. Construir uma equipe sem se submeter à chantagem da velha política. Até o momento tem resistido. Poderá fazer uma revolução nos marcos democráticos. É provável que use da comunicação direta com os brasileiros para se fazer ouvir, para apresentar suas medidas de governo – e obter apoio. Se o fizer, prestará um grande serviço à moralização da República.