Categoria: Istoé

Artigo do historiador Marco Antonio Villa na Istoé: “Do otimismo ao pessimismo.”

O País crescia rapidamente. Tudo era motivo de orgulho. O futebol (e outros esportes, como o boxe, basquete e tênis), o cinema, a arquitetura, a pintura, a literatura. Intelectuais e artistas estrangeiros visitavam e se encantavam com o Brasil. O País era visto como uma futura potência. Era só questão de tempo.
Contudo, ao iniciar os anos 1980 (e desde então), os sucessivos tropeços econômicos e políticos geraram o pessimismo. Abandonar o Brasil virou moda. Fracassamos? Por que não encontramos uma saída? Ainda é tempo?

Meu artigo na Istoé: “Bolsonaro e seus filhos.”

No último processo eleitoral Bolsonaro se apresentou como o candidato antissistema. Como? Foram 30 anos como parlamentar elegendo quatro membros da família? Um deles, Carlos, era, no momento de sua primeira eleição, menor de idade. Nenhum deles se destacou pelo estudo, pela reflexão. Pelo contrário, tiveram no pai um espelho — dos péssimos.
Da vida parlamentar — tal pai, tal filhos — nada ficou, a não ser o uso e abuso das benesses e o emprego de dezenas de familiares e coligados, alguns que nunca compareceram ao local de trabalho.

Artigo do Prof. Villa na Istoé: “Bolsonaro e a democracia.”

O governo não conseguiu apresentar um conjunto de medidas que possam conduzir o País à recuperação econômica. O discurso monocórdio de que tudo passa milagrosamente pela Reforma da Previdência produz uma narrativa de que, a partir da sua aprovação, o Brasil vai entrar numa rota de crescimento econômico em ritmo chinês. Que o capital estrangeiro vai afluir aos bilhões de dólares. É uma falácia. São necessárias diversas ações no campo macroeconômico, devidamente articuladas dentro de um amplo projeto nacional, a fim de criar as condições para que o País saia da crise criada a partir do início do segundo governo Dilma. Isso não vai ocorrer espontaneamente, mas será produto de uma ação governamental responsável.

Artigo do Prof. Villa na Istoé:”Presidente Bolsonaro?”

O improviso tomou conta do Palácio do Planalto. Não causará estranheza se em um banquete oficial for oferecido pão com leite condensado. Estamos no momento do vale-tudo. Porém, mostras de cansaço são evidentes. O Itamaraty virou sucursal de Steve Bannon. O extremista de direita tomou a Casa de Rio Branco. Hoje, a política externa é determinada por uma organização estrangeira a serviço de uma ideologia exótica e que coloca em risco a segurança nacional. Algo que nunca ocorreu na história da República.O caos político poderá levar à derrota da reforma da Previdência.

Artigo do Prof. Villa na Istoé: “A democracia está em perigo.”

Mas um núcleo nefasto entranhado no Palácio do Planalto e com ramificações nos ministérios da Educação e das Relações Exteriores, especialmente, aposta na crise. Quer a crise. Acha que desta forma abre caminho para seu projeto de poder. Projeto criminoso nos moldes do petismo. Desqualificando nossas tradições, colocando em risco a segurança nacional e adotando como prática a utilização de uma ideologia exótica a serviço de interesses alienígenas. São os fanáticos do outro extremo político. Buscam a todo custo inimigos reais e imaginários. Agem como os nazistas. As liberdades democráticas, a imprensa, o Congresso e o Judiciário se transformam nos novos judeus. E devem ser exterminados para o que planejam: a edificação do admirável mundo novo.A democracia está em perigo

Artigo do Prof. Villa na Istoé:”Bolsonaro e a recuperação.”

O êxito do governo Jair Bolsonaro depende da aprovação da Reforma da Previdência — entenda-se, o projeto original do Ministério da Economia.Caso as mudanças de regras sejam tímidas, promovendo uma economia muito abaixo do estimado — cerca deR$ 1 trilhão —, o quadriênio presidencial irá fracassar ainda no seu primeiro ano de mandato. Nessa hipótese, dificilmente Paulo Guedes continuará no ministério — e o apoio dos grandes empresários tenderá a diminuir. Não custa lembrar que Bolsonaro era visto com muita desconfiança pelo mercado no início da campanha presidencial de 2018. Foi Guedes quem deu a unção que lhe angariou o necessário apoio político e econômico do alto empresariado.

Artigo do Prof. Villa na Istoé: “Política não rima com radicalização.”

Parte da renovação política — que foi muito saudável, registre-se — acabou produzindo parlamentares que são mais atores do que políticos.
Todo esse cenário faz parte de um período de transição. Estranho seria se após o final do velho regime (a Nova República) surgisse imediatamente uma nova elite política. Isso só vai ocorrer após um processo de depuração. O problema é que o Brasil necessita de soluções imediatas para enfrentar os graves problemas nacionais.

Artigo do Prof. Villa na Istoé : “Equívocos de Ernesto Araújo.”

Contudo, neste momento, a situação é radicalmente distinta. O Brasil tem seus próprios interesses estratégicos, e quer ter influência e presença militar no Atlântico Sul. Não cabe subserviência aos interesses norte-americanos, que, não necessariamente, são os mesmos do Brasil. Parodiando o próprio ministro, Araújo está entendendo o Brasil em inglês e esquecendo o português.
O reducionismo analítico é evidente. A busca incessante por adversários reais ou imaginários pode transformar o Itamaraty na Casa da Noca.

Bolsonaro e seus filhos.

Artigo do Prof. Villa na Istoé.
Pode ser lembrado o caso da família Sarney, contudo eram somente dois filhos políticos e sem o poder explosivo dos três de Bolsonaro.
Se no período de transição seus filhos não perderam oportunidade para criar situações embaraçosas para o pai, o que poderemos esperar a partir de 1º de janeiro de 2019? Ter três filhos na política não é um bônus. Especialmente quando não tem vida própria. Foram eleitos graças ao prestígio político do pai. Dessa forma, cada fala de um deles é entendida como se fosse do presidente. Quantas vezes Bolsonaro não teve de desmentir os filhos? Isso pode acabar mal.

Artigo do Prof. Villa na Istoé: “Os militares no governo.”

É inegável que nas Forças Armadas existem excelentes quadros que podem ser utilizados nas diversas esferas governamentais. Ninguém chega ao alto oficialato sem ter passado por escolas de alta especialização e por estágios e missões no exterior. Esse cotidiano de formação técnica é desconhecido do grande público. Ainda há a visão de que a profissão de militar não passa de uma carreira pública modorrenta, à espera de uma guerra que não vai ocorrer, onde a promoção é aguardada simplesmente pela antiguidade. São ignoradas as ações implementadas em diversas missões de paz em todo mundo. E no Brasil inúmeras atividades importantes são desenvolvidas principalmente nas áreas mais pobres e nas regiões fronteiriças.
O desafio para as Forças Armadas é evitar a politização dos seus quadros. Elas servem ao Brasil e não a um governo em particular: são instituições permanentes de Estado. Devem evitar a sedução do soldado-cidadão, tão presente no início da República. Irão desempenhar um novo papel, trinta anos depois. Quem diria…