Artigo do historiador Marco Antonio Villa na Istoé: “Do otimismo ao pessimismo.”

No século XX, até o final dos anos 1970, o Brasil foi o País que mais cresceu no mundo ocidental. O otimismo era uma marca nacional. Os desafios enfrentados eram sempre vencidos. As divergências políticas resumiam-se às distintas formas de crescimento econômico. Mas não havia dúvida: o Brasil era o País do futuro. Uma ampla literatura foi produzida apresentando diversos projetos econômicos, um mais detalhado que outro. No Parlamento, na imprensa, na universidade, no mundo editorial, debatia-se os rumos do País com entusiasmo. Era raro, muito raro, alguém escolher morar no exterior e desenvolver sua vida profissional fora daqui. Era algo exótico, tendo em vista as oportunidades criadas pelo progresso econômico. Acontecia o inverso: o Brasil recebia anualmente milhares e milhares de imigrantes. Internamente, a população se deslocava em direção às áreas mais desenvolvidas.

O futuro — mesmo que imediato — era sempre melhor que o presente. Acreditava-se que o vazio demográfico das regiões Norte e Centro-Oeste era um incentivo ao crescimento populacional. A ocupação destas regiões era uma tarefa considerada de segurança nacional. Por outro lado, surgiram as primeiras metrópoles. A rápida expansão urbana era motivo de orgulho. São Paulo, nos anos 1950, começou a ser chamada de “a cidade que mais cresce no mundo”. Progresso e desenvolvimento eram as palavras mais utilizadas nos discursos políticos. Um queria ser mais otimista que o outro, mais realizador, mais ousado, mais moderno. O passado recente era considerado velho, arcaico. A velocidade dava o tom. Velocidade dos carros, das construções de prédios e grandes obras públicas, da edificação de uma capital federal no interior a centenas de quilômetros do litoral, onde não havia, inicialmente, sequer uma choupana. Nada era considerado impossível.

As realizações eram evidentes. O discurso tinha na prática a sua comprovação. O País crescia rapidamente. Tudo era motivo de orgulho. O futebol (e outros esportes, como o boxe, basquete e tênis), o cinema, a arquitetura, a pintura, a literatura. Intelectuais e artistas estrangeiros visitavam e se encantavam com o Brasil. O País era visto como uma futura potência. Era só questão de tempo.

Contudo, ao iniciar os anos 1980 (e desde então), os sucessivos tropeços econômicos e políticos geraram o pessimismo. Abandonar o Brasil virou moda. Fracassamos? Por que não encontramos uma saída? Ainda é tempo?

 

2 comentários sobre “Artigo do historiador Marco Antonio Villa na Istoé: “Do otimismo ao pessimismo.”

  • Te conheço a pouco tempo e já admiro muito , tô te acompando nas redes sociais e também no
    jornal da Cultura! Que aliás foi através dele que te conheci…. Parabéns pelo seu olhar crítico e por Nos ensinar tanto obrigado.

  • Fracassamos? Lógico que não, estamos exatamente onde queríamos estar.Somos penta e a economia está completamente “feudalizada” (de bandeija para os amigos do rei).
    “Por que não encontramos uma saída?” Porque precisamos fazer uma autocrítica e reavaliar o que realmente queremos.
    “Ainda há tempo?”É claro mas para planejar o futuro precisamos abdicar do presente. A questão é: estamos dispostos a abrir mão do presente?

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