Categoria: Istoé

Artigo do Prof. Villa na Istoé: “2018 com jeito de 1989.”

Tudo indica que teremos uma eleição presidencial muito próxima, no sentido da sua dinâmica, da realizada em 1989.
Havia no ar um sentimento de cansaço, de enfado, de desalento com os políticos tradicionais.
Quase trinta anos depois, o sentimento é o mesmo mas com, no mínimo, uma diferença: esta é uma eleição geral, envolve as 27 unidades da federação e a renovação de toda Câmara dos Deputados e de dois terços do Senado. Isso poderia dar ao processo eleitoral uma similitude com 2014, 2010 ou 2006. Mas não. Desta vez há uma clara dissociação entre a escolha para a Presidência da República e o restante da eleição. Dá-se ao Executivo federal um protagonismo e um poder de decisão frente à grave crise que vivemos muito acima das suas possibilidades reais, legais e constitucionais. Novamente o Presidente é alçado a uma missão impossível e dependendo dos resultados das urnas poderá terminar seu mandato muito antes do prazo constitucional.

Artigo do Prof. Villa na Istoé: “Os 130 anos da abolição.”

O 13 de maio de 1888 foi uma ruptura revolucionária em um País marcado pelo conservadorismo, pela conciliação entre as elites, pela enorme dificuldade de enfrentar as graves contradições sociais. Não é possível falar da abolição sem recordar o primeiro movimento de massas da nossa história: o abolicionismo. A mobilização popular nos anos 1880 foi fantástica.
Hoje, com o domínio da (medíocre) sociologia produzida nos EUA, falar no 13 de maio é considerado démodé. Os ventríloquos do novo imperialismo cultural querem fomentar uma guerra racial. Até os negros não são mais brasileiros; agora são afrodescendentes.

Artigo Prof. Villa na Istoé: “Joaquim Barbosa vem aí?”

A permanência da corrupção como importante mote de campanha é preocupante. Demonstra como a longa duração é componente da história do Brasil. Não há país democrático no mundo que numa eleição retome um tema de mais de meio século. É uma clara demonstração de que a corrupção é uma indústria poderosa e que conta com amplo apoio entre as diversas frações da classe dominante. Também evidencia o desejo da cidadania de extirpá-la. E o único caminho encontrado — em um País que ainda tem uma sociedade civil relativamente frágil — é votar em um candidato que se propõe enfrentá-la.

Artigo do Prof. Villa na Istoé: “A conciliação, dessa vez, não será possível.”

A prisão de Luiz Inácio Lula da Silva é um importante marco histórico. Abre a possibilidade de eliminar os hediondos privilégios da elite política. A garantia de que a impunidade — e seus eternos recursos — fosse o escudo protetor para o contínuo saque da coisa pública terminou. É uma ruptura. Não sabemos ainda — no calor da hora — a sua extensão. E muito menos a sua profundidade.

Artigo do Prof. Villa na Istoé: “Até onde vai a crise?”

Ninguém está preocupado com o seu estado ou com o País. Nada disso. Estão sim enxergando as oportunidades de negócio. O curioso é que a Lava Jato, especialmente, não assustou os políticos. Eles continuam enxergando na coisa pública a grande chance de enriquecer sem trabalhar.

Artigo Prof. Villa publicado na Istoé: São Paulo e a eleições de 2018.

São Paulo ao longo da história republicana foi se transformando no verdadeiro laboratório do Brasil.
E no processo eleitoral desse ano, qual será o papel de São Paulo?

Artigo do historiador Marco Antonio Villa publicado na Istoé:”Os militares e a política.”

O caso do Ministério da Defesa é exemplar.
É uma pasta civil, fundamentalmente. Se até hoje teve poucos titulares competentes, isso não justifica a nomeação de um general.

Artigo do historiador Marco Antonio Villa publicado na Istoé: “O Carnaval do vale-tudo.”

A separação do público e do privado de há muito foi abolida. Blocos e camarotes privados ocupam as ruas e avenidas. Realizam grandes negócios. E ainda recebem a proteção especial da segurança pública — isso onde ainda há segurança…

Artigo do historiador Marco Antonio Villa publicado na Istoé.

A condenação de Luiz Inácio Lula da Silva a 12 anos e 1 mês de reclusão – além da pena pecuniária – é um marco político-jurídico.
juízes identificados com a plenitude do Direito, que julgam independentemente da capa do processo, demonstraram que temos sim Justiça.
Muitos temiam a reação popular à condenação de Lula.
No País reinou a calma. Era esperado. E o mesmo vai ocorrer quando da prisão do chefe do petrolão. O Brasil mudou, ainda bem.

Artigo Prof. Villa na Istoé: “Cidades conflagradas”.

Com a crise do final do regime militar – durante o governo Figueiredo – o poder público perdeu as condições para atender as novas necessidades impostas por uma geração que já tinha nascido nas cidades.
Nesses 30 anos, o que era ruim, piorou. Problemas na educação, saúde, segurança pública, moradia.Não vivemos em cidades. São verdadeiros acampamentos de beduínos, parodiando Euclides da Cunha.
Representamos uma vida urbana que não existe. Estamos em meio a uma guerra civil.