Marco Antonio Villa

Araújo continuou agindo contra os interesses estratégicos do Brasil. Basta recordar o episódio que envolveu a transferência de nossa embaixada em Israel — proposta que está momentaneamente esquecida. Tudo para se manter alinhado aos Estados Unidos. Como se o Brasil fosse um ator importante na cena política mundial, especialmente no Oriente Médio. Foi mais uma macaquice, um ato servil, uma espécie de José Dias — célebre personagem machadiano — reencarnado como chefe do Itamaraty.

Não satisfeito, Araújo continuou de ouvidos abertos, à espera do que Washington gostaria que o Brasil — um país soberano, viu chanceler? — fizesse. A crise venezuelana caiu do céu. O nosso País não tem algum problema sério nas fronteiras desde o início do século XX. Todas as disputas foram resolvidas diplomaticamente. Mas devido à política servil de alinhamento automático, Araújo embarcou, inicialmente, na aventura de uma intervenção militar internacional. Contou imediatamente com a oposição dos ministros militares. Estes tiveram de assumir oficiosamente o Itamaraty. E o fizeram com competência — basta recordar as palavras do general Hamilton Mourão, em Bogotá.

O chanceler vai reagir. Conta com a simpatia dos neo-integralistas. As inúteis viagens que Jair Bolsonaro fará ao exterior ainda neste semestre vão se transformar em cenários para revanches. Evitar que isso ocorra é fundamental para a segurança nacional.