O Brasil venceu o petismo.


Marco Antonio Villa

O resultado das urnas do último dia 7 representou mais um duro golpe contra o projeto criminoso de poder petista. A narrativa de que o impeachment de Dilma Rousseff teria sido um golpe acabou derrotada fragorosamente. Os eleitores disseram não, um rotundo não, à falácia do PT e de seus asseclas. Inclusive a própria Dilma acabou humilhada nas urnas em Minas Gerais – ela mesma que tentou aplicar um golpe no eleitorado mineiro transferindo seu domicílio eleitoral de Porto Alegre para Belo Horizonte.

Muitos foram derrotados na eleição mas o PT foi, inegavelmente, o maior. Imaginava que poderia até ampliar sua bancada na Câmara dos Deputados – o que não ocorreu. Supôs também que manteria Minas Gerais sob sua tirania. Perdeu novamente. O pequeno tirano das Alterosas foi massacrado pelas urnas. De nada adiantou o acordo com o PSB que impediu que o partido lançasse seu candidato ao Palácio da Liberdade. A imposição foi ineficaz. A manobra stalinista vai entrar no rol das idiotias da política regional – e são tantas pelo Brasil.

As urnas também sufragaram a Lava Jato, tão combatida pelo PT e pela elite política e jurídica do país. O eleitor disse sim a Curitiba e não ao STF. Deixou claro que está com Sérgio Moro e não com Gilmar Mendes. Que entendeu a necessidade de fazer uma limpeza ética no país como condição indispensável para que o país possa enfrentar os graves problemas nacionais. Relacionou do mesmo modo com o cotidiano da sua vida, da sua família, da sua existência como cidadão. Viu que defender a Lava Jato dos seus cruéis e poderosos adversários era defender o Brasil. Compreendeu de forma cristalina o que significa poder do voto. Recordou – mesmo sem o saber – o que Victor Hugo disse no Parlamento francês, em 1850: “Há um dia no ano em que o chefe de família, o jornaleiro, o peão de obra, o homem que arrasta cargas, o homem que quebra pedras à beira das estradas, julga o Senado, toma nas mãos, endurecidas pelo trabalho, os ministros, os representantes, o presidente da República, e diz: o poder sou eu!”

Não pode ser esquecido o nome de Lula, o presidiário de Curitiba. O país repudiou o condenado por corrupção e lavagem de dinheiro. Rejeitou que um corrupto pudesse da cadeia determinar o rumo do país. O eleitor deu uma lição de civismo. Não se submeteu a uma tramoia orquestrada por uma organização criminosa. Durante décadas Lula foi transformado em um verdadeiro gênio da raça. Tudo o que dizia era considerado genial. Uma filósofa chegou a considerá-lo um Spinoza brasileiro, transformando Amsterdã em São Bernardo do Campo. E, pior, muita gente acreditou e considerou frases de botequim como postulados filosóficos. Mas, desta vez, o Pedro Malasartes da política contemporânea brasileira deu-se mal. Quis da cadeia apontar os rumos do Brasil, algo inacreditável em qualquer sociedade democrática.

A velha política foi varrida do cenário nacional. Antigas e nefastas lideranças foram jogados na lata de lixo da história. Não há quem não tenha ficado satisfeito com a derrocada das raposas da política e do erário. Famílias tradicionais por servir-se dos recursos públicos foram humilhadas nas urnas. Achavam que manteriam seu poder ad eternum, que poderiam saquear o Tesouro por todo o sempre, que tinham direito hereditário de transformar a coisa pública em coisa privada. Não é, ainda, a vitória definitiva mas é inquestionável o papel regenerador destas derrotas para a República. Coronelismo e corrupção não rima com o Brasil moderno. Ninguém aguenta mais assistir passivamente mafiosos roubando impunemente o dinheiro público.

O anti-petismo e o anti-coronelismo esteve presente onde há sociedade civil. Ou seja, nos estados onde há vida democrática, onde é possível dizer não aos poderosos locais, aos, como escrevia Euclides da Cunha, senhores do baraço e do cutelo. O petismo virou sinônimo de coronelismo. Se estivesse vivo, Victor Nunes Leal poderia republicar seu clássico com outro título: “Coronelismo, enxada, petismo e voto.” Petismo e sociedade asfixiada pelo poder de famílias mafiosas deram-se as mãos. Construíram um círculo de ferro impermeável às mudanças que estão ocorrendo por todo o Brasil. Como se vivêssemos em países distintos. O PT só manteve seu domínio onde inexiste espaço à liberdade. Transformou a eleição em um processo meramente formal, que referenda a opressão, como se aos escravos fossem dado o direito de escolherem necessariamente os seus senhores, ou seja, mantendo intacta a odiosa instituição.

Quando o PT perde, ganha o Brasil. Há uma absoluta incompatibilidade entre o PT e os destinos do nosso país. A vitória de 7 de outubro ainda não foi definitivamente quantificada. É natural. Ainda estamos no calor da hora. Mas uma coisa certa: o Brasil se libertou das amarras de uma política antipolítica, de uma ação negadora da democracia, de um domínio de uma minoria antinacional, antipatriótica. O Brasil não será mais o mesmo.
Marco Antonio Villa é historiador.