Bolsonaro age irresponsavelmente.

Confira o meu comentário sobre o excelente livro do jornalista Luiz Maklouf Carvalho, “O cadete e o capitão. A vida de Jair Bolsonaro no quartel”. Editora Todavia.

Trecho do livro:

Em 5 de janeiro de 1988, o coronel Bechara Couto mandou uma carta ao embaixador do Brasil na Colômbia, Álvaro da Costa Franco Filho, pedindo que ele ouvisse o adido militar Carlos Alberto Pellegrino a respeito do conceito desabonador que ele registrara sobre Bolsonaro havia mais de quatro anos. Pellegrino foi inquirido pelo embaixador na chancelaria de Bogotá em 8 de janeiro. Respondendo a perguntas formuladas na carta pelo coronel Bechara Couto, o adido militar relatou que o motivo da sua apreciação negativa tinha sido uma viagem de Bolsonaro, em gozo de dispensa para desconto em férias, a um garimpo no sul da Bahia, por ele desaconselhada.

Afirmou que tinha “bem presentes” os comentários pessoais de Bolsonaro  “sobre lendas e histórias, sempre referentes à existência de ouro, pedras preciosas e outros valores no Vale do Ribeira, em São Paulo, como também em outras regiões do Brasil, consistindo sempre em relatos fantasiosos sobre fortunas feitas da noite para o dia.” O coronel Pellegrino contou ao embaixador Álvaro da Costa que Bolsonaro tinha contestado firmemente o conselho de não ir ao garimpo, o que o fez conhecer , “pela primeira vez, sua grande aspiração em poder desfrutar das comodidades que uma fortuna pudesse proporcionar.”

O garimpeiro ocasional voltou “desiludido e frustrado” com a viagem, de acordo com o coronel. Resolveu retratar-se, “reconhecendo a inutilidade do projeto pessoal, mas também confirmando sua ambição de buscar por outros meios a oportunidade de realizar sua aspiração de ser um homem rico.”

Encerrada a bateria de perguntas enviada pelo Conselho de Justificação, o coronel Pellegrino fez acréscimos por conta própria. Disse que o comportamento do então tenente Bolsonaro no segundo semestre de 1983 era “reflexo de sua imaturidade e exteriorização de ambições pessoais, baseadas em irrealidades, aspirações distanciadas do alcance daqueles que pretendem progredir na carreira pelo trabalho e  dedicação.” Reconheceu que Bolsonaro se saiu satisfatoriamente em funções administrativas e na preparação de exercícios, o elogiou por isso, porém acrescentou: ” Nas rotinas de trabalho cotidiano, no exercício permanente das funções de instrutor , formador de soldados, e de comandante, faltavam-lhe a iniciativa e a criatividade”. Observou, ainda, que Bolsonaro “tinha permanentementea intenção de liderar os oficiais subalternos, no que foi sempre repelido, tanto em razão do tratamento agressivo dispensado a seus camaradas, como pela falta de lógica, racionalidade e equilíbrio na apresentação de seus argumentos.” Naquele momento, afirmou Pellegrino, seu comando estava atraído por uma confusa mescla de ambições, aspirações e valores menores.”

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