Bolsonaro: o começo do fim?

Jair Bolsonaro é uma ameaça concreta ao Brasil, às nossas instituições, à recuperação econômica e, agora, à saúde pública. É necessário urgentemente algum tipo de ação legal para que esta escalada seja interrompida. Nos últimos três meses, Bolsonaro atacou sistematicamente os valores consubstanciados na Constituição de 1988. Ora era a liberdade de imprensa e a virulência verbal e covarde contra as jornalistas, ora ao transformar um torturador, responsável durante quatro anos pelo DOI-CODI de São Paulo, onde dezenas e dezenas de brasileiros foram torturados e assassinados, em herói nacional. E ainda apoia declarações reacionárias dos seus ministros, especialmente o da Educação. Mas nos últimos dias ultrapassou todos os limites legais, Ele apoiou e participou de uma manifestação claramente golpista recheada de cartazes pedindo o fechamento do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal e a instalação de uma ditadura militar. E mais: colocou em risco as dezenas de pessoas com quem teve contato, descumprindo as determinações do seu próprio ministro da Saúde e sinalizando para a população que as medidas preventivas são exageradas, favorecendo a expansão de um surto com gravíssimas repercussões no campo da saúde pública e com efeitos terríveis na economia.

Jair Bolsonaro deixou suficientemente claro que, como sempre apontamos, vive e precisa do caos político. É um extremista, não consegue conviver com as instituições, tem ojeriza pela democracia. O que mais precisa acontecer para que as instituições reajam? O país caminha para uma grave crise na saúde pública e poderemos ter milhares de mortos, especialmente de idosos. Os governadores têm feito o possível e o próprio ministro da Saúde está realizando um bom trabalho de prevenção. O que desestabiliza todo o esforço de contenção do coronavirus é o próprio Jair Bolsonaro. A irresponsabilidade de Bolsonaro chegou ao limite? Há resposta constitucional possível no curto prazo? O STF vai ter de agir? Caminhamos para uma crise econômica severa e o Congresso não suporta mais as diatribes do amigo de Fabrício Queiroz. As manifestações foram um fracasso no último dia 15 e deixaram claro que o apoio a uma eventual ditadura é desprezível, Bolsonaro não tem apoio do Alto Comando do Exército para qualquer tipo de aventura extralegal, e se somarmos com uma crise política e sanitária, aí a casa cai. Dificilmente o presidente comerá o peru de Natal no Palácio do Planalto.

Não é possível que as instituições permitam que a Nação seja destruída. É urgente a necessidade de uma ação legal que demova o presidente da República

Marco Antonio Villa em seu artigo na Revista Istoé.

Deixe uma resposta

You have to agree to the comment policy.