Meu artigo na Istoé: “O preço da polarização.”

Marco Antonio Villa

Jair Bolsonaro transformou seus primeiros meses de gestão numa campanha eleitoral permanente. Nada indica que vá mudar. Precisa deste clima bélico. Foi assim que passou 28 anos na Câmara dos Deputados. Como projeto pessoal é perfeito. O problema é que ele agora ocupa o Palácio do Planalto. E o Brasil passa pela crise econômica mais grave da história republicana.

O presidente não gosta das tarefas administrativas e políticas inerentes ao cargo. É pouco afeito ao trabalho, não lê os projetos, desconhece as questões estruturais que impedem a retomada econômica, busca explicações simplistas para problemas complexos, ignora a dinâmica do mercado internacional, bem como as revoluções tecnológicas e o novo padrão de desenvolvimento mundial. Despreza o conhecimento histórico e desdenha dos artistas e intelectuais. Prefere os salamaleques do poder, as benesses, os privilégios. E como não tem uma equipe que consiga manter em bom funcionamento a máquina governamental — além dos péssimos resultados especialmente na área econômica — tem de, a todo o momento, desviar a atenção do País para questões menores. Ora ataca gratuitamente Chico Buarque, ora o alvo passa a ser o seu próprio partido, o PSL. Isto quando não resolve mirar nos governadores dos dois estados politicamente mais importantes da federação: São Paulo e Rio de Janeiro.

Despreparado, sem experiência administrativa, com pífia
base partidária, Bolsonaro desconhece os objetivos
que pretende atingir na sua gestão. Não tem um projeto de governo.

Despreparado, sem experiência administrativa, com pífia base partidária, desconhece os objetivos que pretende atingir na sua gestão. Não tem um projeto de governo. Mesmo assim — e não é de hoje — proclama aos quatro ventos que pretende ser candidato à reeleição. Isto faz com que tenha de manter um clima de constante polarização. Desta forma evita o debate no campo das ideias e despolitiza o enfrentamento com as oposições. Esta estratégia tem prazo de validade. Dá certo fôlego no início. Mesmo assim as pesquisas mostram que a receptividade popular tem sido negativa: 55% dos brasileiros não confiam no presidente — isto em apenas nove meses de governo, caso único desde a redemocratização.

A polarização cobra um alto preço. Empobrece o debate político. Tenciona
o País. A insistência permanente no confronto, ao invés de buscar a formação de uma sólida maioria parlamentar com um programa reformista, satisfaz apenas a minoria neofascista dos bolsonaristas de raiz, mas não conduz à governabilidade. E neste embate o Brasil perde. Já os extremistas ganham. É tudo o que Bolsonaro e Lula desejam: tornar 2022 uma repetição de 2018.

7 comentários sobre “Meu artigo na Istoé: “O preço da polarização.”

    • Pura verdade!!!! ,Bolsonaro além de preguiçoso gosta de vive com polêmicas ,vive há 30 anos no bem bom da política.O Brasil tem um doido de pedra com a faixa!!!!…

  • A polarização é nefasta, mas o cerne da questão, querido Professor, é o nosso supremo (com “s” minúsculo mesmo) que poderia, se não quebrar, pelo menos trincar profundamente, impedindo que essa situação perversa se tornasse um moto-contínuo… Aliás, gostaria imensamente que os próximos assuntos de suas “lives” fossem sobre o supremo… Obrigada.

  • Prof. Villa , meu GURU voce é um profundo conhecedor da verdade. 100 pessoas, que não temos, da sua magnitude o Brasil seria um Oasis em todos campos, politicos, Econômico, social e religioso sim. Parabens meu eterno Guru. José Crisanto Tavares Assu/RN

  • Percebe-se claramente que Bolsonaro foi talhado para não aceitar opinião contrária, pluralismo e, no cerne, democracia. Temos, desse modo, a jumentice institucional.

Deixe uma resposta

You have to agree to the comment policy.