Meu artigo no Brazil Journal: “Bolsonaristas me processaram 22 vezes. Não vou me calar.”

Como todos sabem, sou um crítico contumaz e opositor convicto do atual governo, e me manifesto diariamente em meu canal no YouTube, hoje com mais de 500 mil inscritos.  Faço essas críticas com amor pelo meu país, e no mesmo tom e veemência com que acusei o Partido do Trabalhadores de assaltar o País quando estava no poder.
Agora, estou sendo objeto de assédio judicial dos bolsonaristas. São 22 ações em diversos estados do Brasil das regiões Nordeste, Sul e Sudeste. É uma perseguição explícita, um constrangimento com o claro objetivo de impedir que eu possa expor minhas opiniões sobre a conjuntura política brasileira. Mais ainda: é uma forma de censura pós-moderna, onde os inimigos do Estado democrático de Direito fazem uso dele para destruí-lo, para intimidar e calar quem defende a democracia, o ordenamento legal oriundo da Constituição de 1988.
Não passarão.

Como ainda não podem prender arbitrariamente, torturar, matar e desaparecer com os opositores políticos, os adeptos da barbárie bolsonarista, malandramente, querem que o Judiciário faça o papel que, em outros tempos, era realizado, em São Paulo, pelo DOI-CODI e o DOPS. Não é meramente acidental que Jair Bolsonaro tenha entre seus heróis um torturador, o coronel Carlos Brilhante Ustra, que comandou entre 1970-1974 o DOI-CODI, onde dezenas de brasileiros foram torturados e assassinados. 

Não custa recordar que entre março e maio deste ano Jair Bolsonaro intensificou seus ataques à Constituição, ao Legislativo e ao Judiciário. Em Brasília, mas não só lá, deu declarações e participou de manifestações golpistas, onde os cartazes explicitavam o desejo de impor o Ato Institucional No. 5 (como se fosse possível), o fechamento do Congresso, e o fechamento do Supremo Tribunal Federal com a prisão dos 11 ministros que seriam substituídos por outros, nomeados por Jair Bolsonaro. Toda esta conspiração contra o Estado democrático de Direito foi realizada com ampla cobertura jornalística. Não faltam entrevistas, declarações e imagens que reforçam o exposto. Tudo, claro, temperado com a linguagem bolsonarista, de um obtuso que fala para uma caterva que se identifica com imagens dignas da marginalidade, dos milicianos. Diria Cícero – não o meio-campista (viu, Bolsonaro?) mas o maior orador da Roma antiga – “é a cloaca”.

Denunciei à época toda a ação golpista. E caracterizei com os conceitos devidos. Não era momento de recuar na defesa dos princípios democráticos. Esta foi a principal razão da ofensiva dos bolsonaristas. Queriam calar a minha voz. Poderia até ser um ensaio para uma ação mais ampla contra outros que se colocaram contra a barbárie. Uso minhas lives diárias no meu canal para denunciar a ação de Jair Bolsonaro contra a Constituição, traindo seus princípios. E neste caso citei, como agora, uma passagem do discurso do deputado Ulysses Guimarães, presidente da Assembleia Nacional Constituinte, a 5 de outubro de 1988, quando da promulgação da Carta: “Traidor da Constituição é traidor da Pátria.”O assédio judicial começou. Os reacionários – nunca foram conservadores ou liberais – queriam transformar o Judiciário em pau-de-arara. Perderam. Ainda bem. Vale a pena citar um trecho da sentença da juíza Thais Migliorança Munhoz: “Restou comprovado que o autor utilizou-se do Poder Judiciário para constranger e causar desconforto ao requerido, por simplesmente discordar de seu ponto de vista, ciente da completa falta de fundamento de sua pretensão, sendo noticiado nos autos, inclusive, o declarado intuito do grupo de apoio ao atual Governo no mesmo sentido, com ajuizamento de pelo menos outras vinte ações idênticas em verdadeira campanha de ‘assédio judicial’”.

A litigação de má fé foi constatada. E na defesa dos doutores Alexandre Fidalgo e Juliana Akel Diniz, do escritório Fidalgo Advogados, ficou explícito que a liberdade de opinião – de manifestar sua visão de mundo, sem confrontar a Constituição e seus preceitos — é um dos pilares da democracia. 

Não vou me calar. Continuarei mostrando que Jair Bolsonaro conspira contra a República, a Constituição o Estado democrático de Direito. O impeachment é mais que necessário. Quanto mais for postergado, pior para o Brasil, para o futuro da nossa Pátria, para a democracia. E melhor para ele e seus celerados que querem a todo custo desmoralizar as instituições, preparar o assalto ao poder e impor uma ditadura.

 

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