Impeachment de Dilma, corrupção e grave

crise econômica e política do Brasil, na

importante revista semanal italiana

“PANORAMA”

"PANORAMA" OK

http://www.panorama.it/economia/il-brasile-tra-ascesa-e-declino-da-brics-allorlo-del-crack/

Texto: Paolo Manzo 08/10/15

O ano de 2015 será para o Brasil o annus horribilis para a economia, país considerado até pouco tempo atrás, uma “oportunidade para se explorar” e um “mercado para estar presente de qualquer maneira” assim dito pelas principais mídias que se ocupam de finanças.Como se já não fosse o suficiente, os milhões de novos desempregados que perderam o trabalho este ano, a inflação já toca a dupla cifra ( 9,49% nos últimos 12 meses), un PIB que vai despencar de 3% em 2015 ( fonte FMI, obrigado a dobrar a estimativa negativa sobre o Brasil a alguns dias atrás), uma queda abissal de 42% da produção industrial de automóveis em relação a setembro de 2014, o abaixamento dos títulos brasileiros a meros junk bond, nível “lixo”, dado pela agência de rating Fitch ( Standard & Poor’s logo poderá fazer o mesmo), ontem a espada de Damocles do TCU, a Corte dei Conti verde-amarelo, que rejeitou por unanimidade as contas do balanço estatal de 2014, que fora assinado pela presidente Dilma Roussef. O motivo? Simples. Eram falsos ou para ser indulgente , a líder do país do samba falsificou ( ou fez falsificar) com artifícios contábeis o real estado de saúde da economia brasileira.Um gigantesco falso no balanço calculado em 106 bilhões de reais pelo TCU, algo como 35 bilhões de euros no câmbio do  final do ano de 2014, metade da financiaria italiana. Como se não bastasse, os magistrados do TCU evidenciaram passividade no sistema de previdência social brasileira igual a 2,3 trilhões de reais, uma cifra astronômica difícil de escrever e que corresponde a 500 bilhões de euro no câmbio atual.

BRICS, uma distante recordação

Mas como é possível o Brasil que faz parte com a Rússia, Índia, China e África do Sul dos rugientes Brics e que somente em 2010 crescia aos níveis chineses ( PIL + 7,9%) , e que desde então tenha precipitado tão embaixo assim?Do ponto de vista meramente econômico a explicação mais plausível é que os estímulos da demanda, portanto o consumo juntamente com a ampliação do crédito – este o remédio anticíclico que funcionou até 2010 – não moveram mais a economia como esperava a economista-presidente Dilma Roussef. Não é um caso portanto, que o crescimento do quadriênio 2011-2014 tenha sido apenas de 6%.Além disso a Copa do Mundo de futebol de 2014 mostrou ao mundo todas as promessas não cumpridas de quem governou o país nos últimos 13 anos, ou seja o PT ( Partido dos Trabalhadores) e dos presidentes Lula ( 2003-2010) e Roussef (de 2011 até hoje). Mais de 50% das obras públicas prometidas às vésperas da Copa do mundo não foram concluídas  antes do evento, e não serão nem mesmo até o final de 2015.Além disso os investimentos em proporção ao PIB brasileiro despencaram de um já baixo 23% em 2006 para os 16% atuais, uma porcentagem realmente ínfima para garantir crescimento. A maioria dos analistas consideram que o optimum para os investimentos seria de 30% em relação ao PIB, porcentagem que garantiu por duas décadas um boom sem precedentes aos chamados “tigres asiáticos”.

Uma tangentopoli sem igual

No Brasil não só não se investiu em infra-estrutura como se devia mas, em abril de 2014 se deflagrou uma tangentopoli /corrupção que pelo valor das “propinas”, é ao menos 100 vezes a “nostra italiana Mani Pulite” e que ça va sans dire, devastou a política e a economia brasileira. A primeira vítima da investigação do magistrado Sérgio Moro foi a Petrobras, a principal empresa estatal “usada” como caixa para pagar as propinas aos partidos de coalisão do governo, começando pelo PT, do qual o tesoureiro está preso a meses.Para entender as dimensões do “desastre Brasil” basta dizer que em maio de 2008 a Petrobras valia 737 bilhões de reais, o equivalente a 200 bilhões de euros no câmbio da época, na metade de setembro de 2015 a empresa petrolífera da qual o maior acionista com 55% dos direitos de voto é o Estado brasileiro, o seu valor caiu para apenas 105 bilhões de reais, o equivalente a 25 bilhões de euros ao câmbio atual. Um oitavo do seu valor originário.Uma débâcle de Dilma Roussef, onde as contas de 2014 foram reprovadas pelo TCU – coisa que nunca aconteceu em uma democracia (somente em 1937 por protesta ao golpe de Getúlio Vargas) – e que , por isso mesmo, a presidente vê agora a chegada de um procedimento de impeachment que a obrigaria a deixar a presidência. Como aconteceu em passado ao solitário e nefasto Collor de Mello.Como sempre, as crises econômicas no Brasil são acima de tudo políticas. A verdadeira novidade é que, pela primeira vez, a impulsionar ambas foi uma enorme investigação contra a corrupção, uma ferida endêmica do Gigante sul americano com uma economia que teria tudo para voar e  ao invés disso, hoje se encontra à beira da falência.

Clique aqui e se inscreva em nosso canal