Historiador Marco Antonio Villa

Historiador Marco Antonio Villa

Entrevista MÍDIA@MAIS – Marco Antonio Villa
10/03/2016 – Redacao Midia@Mais O historiador Marco Antonio Villa analisa do delicado momento nacional em entrevista exclusiva ao M@M.

M@M Durante anos a direita brasileira, acuada ou no ostracismo, conviveu com risadinhas irônicas quando alertava para a quadrilha instalada no poder e personificada pelo PT. A História fará justiça a esses abnegados que durante tanto tempo pregaram no deserto?

Marco Antonio Villa – A crítica ao PT não foi elaborada somente pelo que a pergunta chama de direita. Desde o nascimento do PT (1980) no debate político e acadêmico é possível encontrar severas críticas ao PT. No final do século XX, aí sim, o domínio do PT nas universidades e mesmo no debate político (público) deu ao partido uma aura de redentor da nacionalidade. O enfrentamento do PT no século XXI, especialmente após a posse de Lula, foi realizado. A questão é a qualidade deste enfrentamento, do debate, no interior da luta democrática e apontando as raízes autoritárias do petismo. E só pode apontar autoritarismo no petismo quem está comprometido com a defesa intransigente da democracia.

M@M Petistas e comparsas prometem uma guerra civil e clamam pela morte do juiz Moro. Qual o papel das Forças Armadas diante de tal quadro? Esperar um banho de sangue para finalmente “sair do quartel”? Ou é necessário ainda esperar uma invasão boliviana para finalmente agir na defesa da “ordem”?

Marco Antonio Villa – Nem uma coisa, nem outra. Cumprir a Constituição. A luta vai ser travada fundamentalmente na Praça dos Três Poderes. As ruas jogam um importante papel auxiliar. Foi-se o tempo de rondar os quartéis quando se perdia eleição. Viramos esta página, graças a Deus.

 

M@M Economistas dos grandes veículos insistem que a ruína econômica é mero resultado da “crise política”, como se uma conversa de gabinete invertesse quase uma década de equívocos econômicos. Basta mesmo um aperto de mãos entre governo (ou o que restar dele) e oposição para converter o país numa futura Coreia do Sul?

Marco Antonio Villa – Não há qualquer possibilidade de conciliação com o projeto criminoso de poder. A crise econômica vai ser enfrentada e vencida sem o PT no governo.

 

M@M  – Quais as chances de a saída de Dilma ou eventualmente de Temer também abrir a “Caixa de Pandora de Maldades” em um eventual novo governo, empurrando goela abaixo dos brasileiros mais uma rodada de novos tributos e majorações, sob o pretexto de “união nacional”?

Marco Antonio Villa – Não me parece possível. Reconstruir economicamente o país vai exigir sacrifícios mas não necessariamente mais impostos. A nossa capacidade de reação é grande. Em um ano dá para começar a por o Brasil de pé. Mas, é verdade, a herança maldita do PT vai incomodar ainda, infelizmente, por muitos anos.

M@MQual o tamanho ideal do Estado brasileiro? Vale a pena pagar tantos tributos para um governo central, sendo que tais tributos acabam ou roubados, ou desperdiçados, ou simplesmente alimentando os órgãos de controle que só existem para evitar o roubo e o desperdício?

Marco Antonio Villa –  É uma questão fundamental. Enxugar o tamanho do Estado deverá ser um dos caminhos para sair da crise. E dar eficiência ao que ficar sob controle estatal criando regras que impossibilitem o controle político. Isto não é sonho, é possível. 

 

M@M – Afinal, quem é Lula? Um populista sem limites, um chefe de quadrilha ou um falastrão sortudo de boteco de esquina? Como nos lembraremos dele daqui a 50 anos?

Marco Antonio Villa – Como um ponto fora da curva na nossa história.

 

M@M Pode uma candidatura precoce de um independente (em termos dos blocos partidários habituais) como Bolsonaro sobreviver a 3 anos de massacre midiático? Bolsonaro se parece com um novo Enéas, com um novo Collor, ou com nenhum deles? 

Marco Antonio Villa –  É necessário apresentar ideias, sair da crítica fácil. Dizer a que veio. Deixar de ser candidato de “gênero.” O que pensa sobre economia brasileira, por exemplo?

 

M@M – Finalmente: agonizante a fase de “esquerdismo sindical” ou algo do gênero, representada pelos petistas, caminhamos para qual nova fase? Será o momento do esquerdismo ecológico de Marina, uma chance para o conservadorismo de costumes associado ao liberalismo econômico, ou uma tenebrosa arremetida à extrema esquerda com algum PSOL da vida? 

Marco Antonio Villa – Uma solução centrista é o que se desenha como mais provável. Que saiba negociar sem transigir com os corruptos. Que dê segurança aos investidores e transmita à população otimismo e um bom exemplo de vida. Que seja um executivo mas alguém com sensibilidade social, que goste do Brasil, que, ao ver a nossa bandeira, suspire e diga: “vivo em um grande país, tenho compromisso com a nossa história, serei um presidente comprometido com as nossas melhores tradições. Voltarei para a casa com a consciência limpa.”

 

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