Comentarista de TV e Lula se enfrentam em fórum de SP

Em 25/11/2015

 

Fotos: Reprodução/Facebook Marco Antonio Villa e Ricardo Stuckert/Instituto Lula

 

Aconteceu na quinta-feira (19), no Fórum da Barra Funda, em São Paulo, a audiência decorrente da queixa-crime registrada pelos advogados do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva contra o historiador e escritor Marco Antonio Villa.

De acordo com nota divulgada no site do Instituto Lula, o procedimento acontece “por conta de afirmações caluniosas proferidas por ele (Villa) na edição de 20 de julho do Jornal da Cultura 2ª edição, onde é parte do elenco fixo de comentaristas. A ação é referente a apenas um dos recorrentes comentários caluniosos que o professor da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos) repete contra o ex-presidente no jornal noturno da TV pública do governo do Estado de São Paulo”.

No referido comentário, Villa disse que o ex-presidente “mente, mente”, que é culpado de “tráfico de influência internacional, sim”, além de “réu oculto do mensalão”, “chefe do petrolão”, “chefe da quadrilha” e teria organizado “todo o esquema de corrupção”.

No texto protocolado na Justiça Estadual de São Paulo, a defesa de Lula aponta que as acusações de Villa incorrem em calúnia, injúria e difamação. “Essas afirmações foram emitidas sem qualquer elemento que pudesse respaldá-las”, aponta a queixa-crime.

Na edição de segunda-feira (23) do Jornal da Cultura, Marco Antonio Villa comentou o desdobramento da ação: “Cheguei sozinho (ao Fórum), entrei e saí pela porta da frente. Ele (Lula) entrou e saiu pela porta dos fundos, cercado por um batalhão de seguranças”.

Segundo o historiador, a audiência durou apenas quatro minutos. “Reafirmei (ao juiz) tudo o que disse, no direito da Constituição, da lei. Disse que é meu compromisso (exigir) que o maior desvio de recursos públicos da história do mundo tem de ser apurado”.

Ainda no telejornal, Villa se mostrou grato aos que compartilham suas posições: “Tinha muitos manifestantes ali (no Fórum) me apoiando. Agradeço muito a ideia da liberdade e da democracia”.

 

Antipetismo declarado

Vem de longa data a cruzada de Marco Antonio Villa contra o ex-presidente Lula.

Sabe disso quem acompanha o Jornal da Cultura às segundas-feiras, dia no qual o historiador ocupa a bancada ao lado do também comentarista Airton Soares, advogado e ex-deputado federal pelo PT, e o âncora do telejornal, Willian Côrrea.

Ao contrário de alguns comentaristas de política, que são antipetistas mas disfarçam a posição ideológica, Villa assume suas convicções não apenas diante das câmeras, mas também ao microfone do Jornal da Manhã da Rádio Jovem Pan de São Paulo, em debates no site da revista Veja e também em livros.

Em 2013 ele lançou ‘Década Perdida – Dez anos de PT no Governo’ pela editora Record. Na capa, uma foto de Lula de costas, usando a faixa presidencial.

É da autoria dele também ‘Mensalão – O Julgamento do Maior Caso de Corrupção da História Política Brasileira’, editado pela Leya. Caricaturas de figuras políticas como José Dirceu, José Genoíno, Delúbio Soares e Roberto Jefferson fazem parte da ilustração da capa.