Foto: Veja.com

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Por Marco Antonio Villa
Michel Temer completou seis meses à frente da Presidência da República – parte desse tempo foi interino. Nesse semestre presidencial, inicialmente, organizou um ministério para obter a aprovação no Senado do impeachment de Dilma Rousseff. Abrigou diversos partidos. E estabeleceu um amplo arco de alianças chegando até a incluir àqueles que, na Câmara dos Deputados, votaram contra a autorização da abertura do processo, como Leonardo Piccianni, que recebeu o ministério do Esporte.
O espírito conciliador de Temer garantiu o recebimento do processo pelo Senado – algo que não seria necessário, segundo o artigo 52 da Constituição, mas que acabou sendo uma exigência do STF. Posteriormente, o processo e julgamento decorreram de forma tranquila, tanto no Senado, como nas ruas. A tensão ficou dentro do limite do aceitável. E a aprovação do afastamento definitivo de Dilma ocorreu sem traumas. Dessa forma, Temer estabeleceu uma eficaz estratégia e desarmou conflitos que poderiam ter ocorrido. O isolamento dos apoiadores do projeto criminoso de poder foi tão grande que o País recebeu com alívio a posse definitiva de Temer na Presidência, no final de agosto.
Contudo, se no período de interinidade poderia ser justificável a conciliação, hoje não é plausível que ainda haja em importantes cargos e funções de governo representantes da herança maldita petista. O trabalho de despetização do Estado mal começou – o que não é um bom sinal. Em empresas e bancos estatais, petistas e seus asseclas continuam mandando – e sabotando o novo governo. Fechar os olhos para esta realidade não resolve o problema. Cabe ao presidente ordenar um levantamento cuidadoso – e são milhares, tanto no Brasil, como no exterior.
Estabelecer uma nova forma de gestão passa necessariamente pela indicação de nomes identificados com os apoiadores do processo de impeachment. Se a formação do ministério teve a sua razão de ser, em maio, hoje é um impedimento para o estabelecimento de um governo republicano. Não foi efetuado um inventário – ainda que breve – do que foi encontrado após 13 anos de petismo. Qual a razão de, ao menos, o BNDES não ter divulgado – e aí não cabe sigilo bancário – um empréstimo danoso aos interesses nacionais, como o da reforma do porto de Mariel, em Cuba?
Em empresas e bancos estatais, petistas e seus asseclas
continuam mandando – e sabotando o novo governo